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Sideways

Eu estava jantando com uma amiga semana passada quando a ficha caiu:

 – Eu gostaria de morar num país em que o vinho fosse a bebida “oficial”.

Não é só porque comer e beber está no meu top 5 melhores coisas do mundo. E porque vinho está no pódio do top 5 das bebidas. Mas os 10 principais países produtores de vinhos – Itália, França, China, Estados Unidos, Espanha, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Brasil e aqui abro exceção apenas para a China e esclareço que a produção americana se dá na Califórnia – são sinônimos de paraíso na Terra para mim e para muita gente.

A vinicultura requer um clima agradável, sempre ensolarado, quente no verão, com meias-estações que merecem esse nome e um inverno frio, mas não congelante. Vinícolas são geralmente vizinhas de montanhas e alguma fonte de água que torne aquele solo fértil e por isso, estão em lugares lindos. É uma bebida tão antiga que remete a tradições, costumes e festas, principalmente na Europa. E nada mais perfeito para fechar um dia do que o costume de jantar degustando uma tacinha de vinho.

No Uruguai – onde bebia vinho todo santo dia – vi em uma padaria vinho em caixinha, tal qual leite. Porque vinho lá é item da cesta básica. Não seria maravilhoso se todos nós encarássemos o vinho como algo tão essencial no nosso rol de supermercado ou mercearia?

Viver num país em que o vinho faça parte do cotidiano é minha mais nova meta de vida.

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Das coisas que ganhei pelo caminho

Ganhei uma pantera cor-de-rosa de plástico, achada no chão da Piazza San Pedro, no Vaticano, que guardei até minha recente mudança. Ganhei uma rosa de um desconhecido em um Valentine’s Day, em Veneza. Ganhei também um convite para jantar de um lituano em outro Valentine’s Day, desta vez em Londres, mas preferi sair pra dançar com a amiga brasileira numa festa chamada I bet that you look good on the dance floor. Ganhei uma magnífica dor muscular nas pernas após quatro dias de trilha inca, mas ganhei o presente que é ver o dia nascendo e o sol iluminando as ruínas de Machu Picchu sem a massa de turistas por perto. Ganhei uma versão em inglês com dedicatória fofa de O amor nos tempos do cólera, esquecida de propósito na minha estante por alguém que conheci nas cálidas ruas de Cartagena. Ganho sempre alguns quilos quando vou ao Pará e à Bahia, mas também aumentei de peso depois de um fim de semana natureba-orgânico num ashram. Ganhei uma amiga depois de uma viagem à Chapada dos Veadeiros e uma amiga de infância das minhas idas à Belém. Ganhei um livro de um Hare Krishna na principal rua de Edimburgo, depois de recusar a oferta de comprar o cd da sua banda de Krishna Core mas lhe doar uma libra. Porque viagem é um investimento: gastamos dinheiro, mas ganhamos lembranças e experiências. E esta é a única coisa que alguém jamais vai poder tirar de mim.

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Das coisas que perdi pelo caminho

Voltando a este blog que já tinha passado por sua extrema-unção. Mas o tema viagem, porém, está cada vez mais vivo na minha cabeça.

 

Post inspirado neste: http://viajeaqui.abril.com.br/blog/133918_comentarios.shtml?7536578

Já perdi um avião depois de uma noite (e começo de manhã) de festa em Belo Horizonte. Perdi uma câmera em Machu Picchu, no final da viagem, e, consequentemente, todas as fotos. Mas não perdi nenhuma memória da viagem. Perdi um anel na rodoviária de Salta, argentina, que até agora está me doendo. Perdi o medo de viajar sozinha desde o primeiro dia em La Paz mas até agora não perdi a vergonha de jantar sozinha num restaurante legal. Perdi a cabeça por um canadense e até agora não encontrei – deve estar junto com a câmera ou o anel. Perdi a paciência com prestadores de serviço no Uruguai, até entender que aquele era o jeito deles de lidar com as coisas e a gente viaja é pra ver o jeito diferente das pessoas. Perdi a inocência de pensar que alguém nascida e criada no Rio de Janeiro jamais poderia ser roubada numa cidadezinha de 10 mil habitantes na Europa depois de isto acontecer. Perdi dois quilos porque me desaconselhavam a sair no centro de Bogotá à noite para jantar, e então ia dormir com fome. Perdi o sono com medo de perder vários vôos. Provavelmente perdi uma parte do meu fígado neste último verão no Rio de Janeiro, que é a minha casa e nunca foi tão minha. Perdi a fala diante do Fórum Romano, das Cataratas do Iguaçu, do pôr-do-sol do Posto Nove ontem. Perdi o medo e ganhei verdadeira fascinação pelo desconhecido deste mundo. E não perco nunca a vontade de viajar.

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O país é repleto de ruínas, porém duas se destacam: a mítica cidade de Tróia e a bem-conservada Efesus. Da primeira, pouco restou da grandiosidade retratada em Ilíada. Tróia foram nove cidades, sucessivamente conquistadas, destruídas e reconstruídas, uma por cima da outra. Hoje em dia há pouco que se ver: ainda há 65% da cidade para ser escavada, mas os arqueólogos não têm conhecimento sobre o que ainda está ali e terão que destruir as camadas superiores se quiserem chegar nas inferiores. Já Efesus é uma viagem ao antigo Império Romano. As ruínas da cidade estão em excelente estado de conservação e contam até com um banheiro público, que rende fotos impagáveis, e um bordel.  

Efesus

Mas a Turquia não é só ruínas. Existe uma natureza singular e exuberante pronta para ser explorada pelo viajante. Sakilikent Gorge é uma montanha que partiu no meio devido a um terremoto e hoje e possível caminhar em seu interior, que por vezes não chega a medir 10 metros de distância entre um lado e outro. E não se esqueça, estamos no Mediterrâneo, que conta com dezenas de praias com paisagens de propaganda de cartão de crédito. E se você cansar de hotéis e albergues não se preocupe: casas na árvore são acomodações bastante comuns. O Kadir’s, albergue onde fiquei em Olympos, não só tinha acomodações à lá Tarzan como até uma boate nas suas dependências. Um conselho: escolha o quarto mais longe possível da boate, casas na árvore têm o seu charme, mas não oferecem um bom isolamento acústico. E peça um Cherry Ribe, simplesmente o melhor coquetel que já experimentei na vida.

A paisagem mais espetacular da Turquia, porém, é a da Capadocia, com suas formações rochosas conhecidas como chaminés de fadas e cavernas construídas para moradia, quentes no inverno e frescas no verão. Quando o cristianismo ainda era uma religião subversiva, há dois milênios atrás, os cristãos construíram cidades subterrâneas para se esconder da perseguição, algumas com até 100 capelas cujos afrescos você pode ver até hoje. É possível explorar a paisagem da religião à pé, de bicicleta, de scooter e à cavalo. Mas eu escolhi voar de balão. Tive que acordar às 6h da manhã, custou o equivalente a um mês de aluguel, mas foi uma experiência extraordinária. Ao contrário do que imaginava, não senti medo ou adrenalina de voar a mil metros de altura: a sensação de paz e tranqüilidade é tão grande que é possível escutar os cachorros latindo e as pessoas conversando em terra. dsc02279.jpg

No mesmo dia em que voei de balão tive outra experiência autenticamente turca: o hamman. Essencial para a purificação semanal na religião muçulmana, os hammans são os famosos banhos turcos. Sumptuosos e elegantes, estes banhos encerram vários significados sociais. O mais importante é o de servir de ponto de encontro: é neles que as mulheres costumam observar e “capturar” as futuras esposas dos seus filhos. Além do significado sócio-cultural, os hammans trazem igualmente importantes benefícios terapêuticos.

Mediterrâneo

Outra experiência altamente recomendável é a culinária turca. Menemen, espécie de ovos mexidos com diversos ingredientes, era fundamental no café da manhã. A pizza turca tradicional se chama pide até o kebab, velho conhecido de quem viaja para a Europa com pouco dinheiro, é diferente na sua terra natal. Kebab que se preza é no espeto. Outra  instituição turca é o chá de maçã, oferecido por onze entre dez vendedores que você vai encontrar. Simpáticos e espertíssimos, eles vão te chamar de meu amigo, comentar sobre futebol e te fazer comprar coisas pela metade do preço inicial oferecido, mas ainda assim você vai achar que foi enganado. Aliás, nenhum artigo à venda na Turquia já vem com o preço na peça.  Pergunte e se prepare para negociar. Esteja pronto para ser abordado em qualquer lugar por vendedores, taxistas, guias, garçons e pessoas de profissão meio indefinida na rua. Se você for mulher, redobre sua paciência – além de te oferecerem produtos e serviços você será olhada como um pedaço de carne no açougue. O assédio é menos comum em cidades litorâneas, acostumadas a hordas de europeus, mas incomoda mesmo em lugares como Istambul. Leve seu Ipod e ignore os vendedores te chamando, mas não perca a oportunidade de conhecer esse país de surpresas e contrastes que é a Turquia. 

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O teste do sofá

Era uma vez um americano chamado Casey Fenton. Ele comprou uma passagem para a Islândia numa promoção e deciciu que não iria se hospedar em um hotel ou albergue – Casey queria conhecer islandeses e de repente até arrumar um sofá para dormir na casa de alguém. Ele buscou o banco de dados da Universidade da Islândia e enviou e-mails a 1500 estudantes, se apresentando e perguntando de eles não poderiam lhe oferecer um lugar para ficar. Mais de 100 pessoas responderam oferecendo acomodação.

Casey conheceu locais e pessoas que jamais conheceria se ficasse em um lugar impessoal como um hotel ou albergue. Ele conheceu a Islândia pelos olhos de um islandês. No avião de volta pra casa pensou “é assim que eu quero viajar sempre”.  E assim nasceu o couchsurfing, que reune hoje mais de 180 mil pessoas de 213 paises dispostas a oferecer acomodação, companhia e dicas para viajantes em busca de um olhar mais pessoal das cidades.

Estou inscrita no couchsurfing desde o finalzinho do ano passado e desde então conheci várias pessoas que estavam de passagem no Rio e surfei numa meia dúzia de sofás (e camas e sacos de dormir) na minha última viagem. Já me perguntaram se era perigoso. No couchsurfing, os membros são indicados por outros, cada um tem um perfil onde você pode conhecer um pouco mais sobre a pessoa. Acho tão perigoso quanto dividir um quarto de albergue com várias pessoas das quais você nunca teve nenhuma informação.

Couchsurfing será um assunto corrente neste blog. Por enquanto, dê uma olhada no link ao lado para mais informações.

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Hello world!

Esse é o terceiro blog que eu creio para falar sobre viagem. Espero que desta vez eu não pare no primeiro post.

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