Monthly Archives: May 2009

Lá no meu outro blog rola um edital de concurso para namorado. Dou casa, comida e roupa lavada se o gajo se comprometer a limpar a casa, fazer a comida e lavar a roupa. Inscreva-se já!

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Das coisas que ganhei pelo caminho

Ganhei uma pantera cor-de-rosa de plástico, achada no chão da Piazza San Pedro, no Vaticano, que guardei até minha recente mudança. Ganhei uma rosa de um desconhecido em um Valentine’s Day, em Veneza. Ganhei também um convite para jantar de um lituano em outro Valentine’s Day, desta vez em Londres, mas preferi sair pra dançar com a amiga brasileira numa festa chamada I bet that you look good on the dance floor. Ganhei uma magnífica dor muscular nas pernas após quatro dias de trilha inca, mas ganhei o presente que é ver o dia nascendo e o sol iluminando as ruínas de Machu Picchu sem a massa de turistas por perto. Ganhei uma versão em inglês com dedicatória fofa de O amor nos tempos do cólera, esquecida de propósito na minha estante por alguém que conheci nas cálidas ruas de Cartagena. Ganho sempre alguns quilos quando vou ao Pará e à Bahia, mas também aumentei de peso depois de um fim de semana natureba-orgânico num ashram. Ganhei uma amiga depois de uma viagem à Chapada dos Veadeiros e uma amiga de infância das minhas idas à Belém. Ganhei um livro de um Hare Krishna na principal rua de Edimburgo, depois de recusar a oferta de comprar o cd da sua banda de Krishna Core mas lhe doar uma libra. Porque viagem é um investimento: gastamos dinheiro, mas ganhamos lembranças e experiências. E esta é a única coisa que alguém jamais vai poder tirar de mim.

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Comer, rezar e amar (Elizabeth Gilbert)

Sim, eu tinha preconceito com esse livro, que me cheirava a auto-ajuda. E sim, eu li e gostei, e ele às vezes é auto-ajuda de meia tigela mesmo, do tipo “você tem que buscar a sua verdade para ser realmente feliz”. Mas o livro é redondo e difícil de largar, com descrições muito legais do cotidiano num ashram e como é bom dar um f*da-se à tudo e todos, juntar suas coisas e ir pra Itália, simplesmente porque você quer e pronto. Um dia faço isso também, senão não morro realizada. E sim, essa auto-ajuda me ajudou: chega uma hora que você casou, teve filhos, comprou uma casa, estudou, conquistou uma carreira de sucesso, mas quer fazer aquilo que você e simplesmente você tem vontade. Como estudar italiano – um idioma que não serve para muita coisa mas é lindo – e se jogar numa das melhores culinárias do mundo (bom, isso eu sempre fiz). Tem também o  cliché, de se apaixonar pela ginga de um brasileiro, mas eu relevo (sem acento. Morte à reforma ortográfica). Que me perdoem meus ídolos Benedetti, Amos Oz e Ian McEwan, mas se eu fosse escrever um livro, seria mais ou menos como Comer, Rezar e Amar.

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Literatura para viagem

Não estou falando de guias de viagem, com indicações de “onde comer” “onde dormir”, “o que fazer”, mas de livros que se passem em lugares que te fazem decidir a ir para lá. Como quando eu assisti Diários de motocicleta e eu quis vivenciar toda a estupefação que eu vi no  rosto de Gael Garcia Bernal/Che quando chegou a Machu Picchu. Mas o assunto aqui são livros e não filmes, que sejam relatos de viagem ou simplesmente contenham tantas descrições de um lugar que te dão uma vontade irresistível de ir para lá. Nasce um novo tag para este blog.

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On the Road (Jack Kerouac) e O Grande Bazar Ferroviário (Paul Theroux)

Confesso que não gosto de dois grandes ícones mochileiros, daqueles adorados pelos twentysomething de países desenvolvidos que tem tempo para viajar:  On the Road, de Jack Kerouac e O grande bazar ferroviário, de Louis Theroux. Pode ser simplesmente por conta do tipo de literatura – eu gosto de descrições minuciosas, de um maior detalhamento emocional dos personagens – e estes livros têm cenas e diálogos rápidos das ações dos personagens. Tenho a impressão de que eles fazem bastante coisa, mas nunca param para pensar no que fazem.

O livro de Theroux é um relato de suas viagens de trem da Europa até a Ásia e, para um cara tão viajado, ele sofre de um defeito fatal: o etnocentrismo. Porque como um cara que se propõe a passar meses viajando pela Ásia se opõe ao modo místico como os indianos explicam o mundo?

On the Road tem o seu DNA beatnik e, teoricamente, Kerouac escrevia sem parar num rolo de papel de fax, desenvolvendo a estória de modo linear, sem cortes e sem edições. Eu sinceramente acho que um editor cairia bem e não terminei de ler o livro. Mas já cruzei com muitos wannabes Dean Moriarty em albergues por aí.

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Das coisas que perdi pelo caminho

Voltando a este blog que já tinha passado por sua extrema-unção. Mas o tema viagem, porém, está cada vez mais vivo na minha cabeça.

 

Post inspirado neste: http://viajeaqui.abril.com.br/blog/133918_comentarios.shtml?7536578

Já perdi um avião depois de uma noite (e começo de manhã) de festa em Belo Horizonte. Perdi uma câmera em Machu Picchu, no final da viagem, e, consequentemente, todas as fotos. Mas não perdi nenhuma memória da viagem. Perdi um anel na rodoviária de Salta, argentina, que até agora está me doendo. Perdi o medo de viajar sozinha desde o primeiro dia em La Paz mas até agora não perdi a vergonha de jantar sozinha num restaurante legal. Perdi a cabeça por um canadense e até agora não encontrei – deve estar junto com a câmera ou o anel. Perdi a paciência com prestadores de serviço no Uruguai, até entender que aquele era o jeito deles de lidar com as coisas e a gente viaja é pra ver o jeito diferente das pessoas. Perdi a inocência de pensar que alguém nascida e criada no Rio de Janeiro jamais poderia ser roubada numa cidadezinha de 10 mil habitantes na Europa depois de isto acontecer. Perdi dois quilos porque me desaconselhavam a sair no centro de Bogotá à noite para jantar, e então ia dormir com fome. Perdi o sono com medo de perder vários vôos. Provavelmente perdi uma parte do meu fígado neste último verão no Rio de Janeiro, que é a minha casa e nunca foi tão minha. Perdi a fala diante do Fórum Romano, das Cataratas do Iguaçu, do pôr-do-sol do Posto Nove ontem. Perdi o medo e ganhei verdadeira fascinação pelo desconhecido deste mundo. E não perco nunca a vontade de viajar.

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