July 17, 2007

O país é repleto de ruínas, porém duas se destacam: a mítica cidade de Tróia e a bem-conservada Efesus. Da primeira, pouco restou da grandiosidade retratada em Ilíada. Tróia foram nove cidades, sucessivamente conquistadas, destruídas e reconstruídas, uma por cima da outra. Hoje em dia há pouco que se ver: ainda há 65% da cidade para ser escavada, mas os arqueólogos não têm conhecimento sobre o que ainda está ali e terão que destruir as camadas superiores se quiserem chegar nas inferiores. Já Efesus é uma viagem ao antigo Império Romano. As ruínas da cidade estão em excelente estado de conservação e contam até com um banheiro público, que rende fotos impagáveis, e um bordel.  

Efesus

Mas a Turquia não é só ruínas. Existe uma natureza singular e exuberante pronta para ser explorada pelo viajante. Sakilikent Gorge é uma montanha que partiu no meio devido a um terremoto e hoje e possível caminhar em seu interior, que por vezes não chega a medir 10 metros de distância entre um lado e outro. E não se esqueça, estamos no Mediterrâneo, que conta com dezenas de praias com paisagens de propaganda de cartão de crédito. E se você cansar de hotéis e albergues não se preocupe: casas na árvore são acomodações bastante comuns. O Kadir’s, albergue onde fiquei em Olympos, não só tinha acomodações à lá Tarzan como até uma boate nas suas dependências. Um conselho: escolha o quarto mais longe possível da boate, casas na árvore têm o seu charme, mas não oferecem um bom isolamento acústico. E peça um Cherry Ribe, simplesmente o melhor coquetel que já experimentei na vida.

A paisagem mais espetacular da Turquia, porém, é a da Capadocia, com suas formações rochosas conhecidas como chaminés de fadas e cavernas construídas para moradia, quentes no inverno e frescas no verão. Quando o cristianismo ainda era uma religião subversiva, há dois milênios atrás, os cristãos construíram cidades subterrâneas para se esconder da perseguição, algumas com até 100 capelas cujos afrescos você pode ver até hoje. É possível explorar a paisagem da religião à pé, de bicicleta, de scooter e à cavalo. Mas eu escolhi voar de balão. Tive que acordar às 6h da manhã, custou o equivalente a um mês de aluguel, mas foi uma experiência extraordinária. Ao contrário do que imaginava, não senti medo ou adrenalina de voar a mil metros de altura: a sensação de paz e tranqüilidade é tão grande que é possível escutar os cachorros latindo e as pessoas conversando em terra. dsc02279.jpg

No mesmo dia em que voei de balão tive outra experiência autenticamente turca: o hamman. Essencial para a purificação semanal na religião muçulmana, os hammans são os famosos banhos turcos. Sumptuosos e elegantes, estes banhos encerram vários significados sociais. O mais importante é o de servir de ponto de encontro: é neles que as mulheres costumam observar e “capturar” as futuras esposas dos seus filhos. Além do significado sócio-cultural, os hammans trazem igualmente importantes benefícios terapêuticos.

Mediterrâneo

Outra experiência altamente recomendável é a culinária turca. Menemen, espécie de ovos mexidos com diversos ingredientes, era fundamental no café da manhã. A pizza turca tradicional se chama pide até o kebab, velho conhecido de quem viaja para a Europa com pouco dinheiro, é diferente na sua terra natal. Kebab que se preza é no espeto. Outra  instituição turca é o chá de maçã, oferecido por onze entre dez vendedores que você vai encontrar. Simpáticos e espertíssimos, eles vão te chamar de meu amigo, comentar sobre futebol e te fazer comprar coisas pela metade do preço inicial oferecido, mas ainda assim você vai achar que foi enganado. Aliás, nenhum artigo à venda na Turquia já vem com o preço na peça.  Pergunte e se prepare para negociar. Esteja pronto para ser abordado em qualquer lugar por vendedores, taxistas, guias, garçons e pessoas de profissão meio indefinida na rua. Se você for mulher, redobre sua paciência – além de te oferecerem produtos e serviços você será olhada como um pedaço de carne no açougue. O assédio é menos comum em cidades litorâneas, acostumadas a hordas de europeus, mas incomoda mesmo em lugares como Istambul. Leve seu Ipod e ignore os vendedores te chamando, mas não perca a oportunidade de conhecer esse país de surpresas e contrastes que é a Turquia. 

June 30, 2007

De Ipod na Turquia

dsc02301.jpgpor Luciana Guilliod Eu nunca havia bebido álcool às 8h da manhã, até aquele dia de maio de 2006. Como também nunca havia sobrevoado num balão de ar quente a paisagem espetacular da Capadócia, na região central da Turquia, achei que valeria a pena aceitar a taça de champanhe oferecida para comemorar. Essa foi apenas uma das surpresas que este país me trouxe.  

Cheguei na Turquia às duas horas da manhã. Às sete da madruga do dia seguinte, estava firme e forte, de mochila nas costas, pronta para encarar o Fez Bus, um ônibus hop on hop off (ou seja, você pode parar a qualquer momento da viagem e pegar o próximo ônibus no mesmo ponto, dois dias depois) que leva uma semana para fazer uma volta completa no país. O Fez Bus foi a solução perfeita para uma menina viajando sozinha em um país muçulmano – não só fiz amigos mas evitei, até certo ponto, o assédio dos turcos.

dsc02160.jpgSó tinha ouvido falar de Gallipoli, o primeiro lugar que visitei, por causa do filme do Mel Gibson. O lugar foi palco de uma importante batalha na primeira guerra mundial entre turcos, australianos e neozelandeses e até hoje é local de peregrinação dessas nacionalidades. Para uma brasileira sem grande interesse na Primeira Guerra Mundial, valeu matar a curiosidade de entrar numa trincheira. Este foi só mais um capítulo na conturbada e rica história turca. O país, que hoje é uma República e um estado secular, abrigou a primeira cidade do mundo (Catalhoyuk, por volta de 6500 AC). A antiga cidade de Bizâncio foi rebatizada de Constantinopla pelo imperador grego Constantino em 330 AC, se tornou a capital do Império Romano do Oriente e o coração do Império Bizantino por mil anos. Em 1453 a cidade foi conquistada pelos Otomanos e renomeada como Istambul. A Turquia obteve sua independência após a Primeira Guerra Mundial sob a liderança de Mustafa Kemal, mais conhecido como Atatürk e alvo de homenagens no país inteiro. Atatürk modernizou o país, proclamando uma república e separando Estado e Religião.

 

(continua amanhã)

April 29, 2007

Diário de bordo de Salvador – Dia 3 – 07/04

No Pelô

Eu já estava a caminho do Elevador Larcerda quando meu celular toca às 10h e o sotaque baiano do Pedro, meu amigo do trabalho, interrompe a viagem. Havíamos combinado de fotografar o Pelourinho de manhã mas meu lado carioca não acreditou muito não. Me juntei ao Pedro e ao Graciano, também possuidores de uma Canon EOS 350 e saímos a fotografar o Pelourinho, que, aliás, merecia ganhar uns toldos, árvores ou o que o valha para proteger a turistada do sol.

 

A Karla se juntou à nós e visitamos o convento da Ordem Terceira do Carmo. Acho um absurdo pagar para visitar uma igreja, porém mais absurdo ainda é ser coagido a uma receber explicação de um guia sem pedir e depois ter que pagar por ela. Descemos ao Solar do Unhão, ex-engenho de açúcar e espaço multicultural onde funciona um excelente restaurante, o MAM de Salvador e havia uma exposição do Carybé. Pegamos um táxi de volta ao Mercado Modelo, onde tentei achar, sem sucesso, um chaveiro de patuás. A fome apertou e fomos em direção ao famoso restaurante do Senac, elogiadíssimo por todo mundo que vai lá. Chegamos 10 minutos depois do restaurante fechar pro almoço.

 

Matamos a fome com um belo acarajé da Sueli, no Terreiro de Jesus, pracinha que me lembrou a Plaza Mayor de Cusco: uma igreja em cada extremidade, um chafariz no meio e vendedores de tudo que é coisa perambulando. O acarajé foi delicioso e o papo com a Sueli, baiana de Valença e filha de Nana, idem.

Sueli

Toda a conversa sobre orixás nos levou a combinar o preço do táxi com o Teixeira, outra simpatia de baiano, para conhecer o Dique do Tororó, lagoa localizada no centro na cidade, ao lado do estádio da Fonte Nova e lar para uma série de escultura dos principais orixás do candomblé. Já era fim de tarde e a luz dourada do sol banhava as esculturas de bronze de uma forma magnífica. Lembrava de ver os orixás na lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, mas não lembrava de como eles eram imponentes. E muito mais em casa nessa terra tão cheia de sincretismo religioso que é a Bahia. Alugamos um pedalinho para ficar mais perto das esculturas, larguei o dedo na Canon e voltei ao Pelourinho com uma dúvida: será que esse é o Tororó da música?

orixás

Depois de um dia tão corrido, tomei um banho e me deitei na rede com o Vargas Llosa e suas “Travessuras da Menina Má” para descansar um pouco. Mais tarde, me juntei a um grupo de cariocas para irmos no Ile Aye, associação cultural para preservar e difundir a cultura afro-braisleira – ou em bom português, pra bater um tamborzão no carnaval da Bahia. Esse foi  primeiro ensaio do bloco do ano e, quando o táxi nos levou à sede do grupo, na Ladeira do Curuzu, a comparação foi inevitável para um bando de cariocas: “isso aqui é igual a um ensaio de escola de samba”.

 

No ensaio, baianos e baianas negros, lindíssimos, bem vestidos e arrasando ao dançar. Alguns gringos (aliás, no meu terceiro dia aqui já começo a recnhecer os gringos) e nós, amarradões. Fomos embora pouco depois da uma da manhã, porque amanhã é domingo, dia de missa.

April 25, 2007

Diário de Bordo de Salvador – Dia 2 – 06/04

Acordei com o sol e o calor no quarto. Enquanto me arrumava para tomar o café-da-manhã conheci a Karla, uma mineira de 28 anos que mora numa cidadezinha de cinco mil habitantes na Bahia para trabalhar num projeto social. Ela me lembrou que na sexta-feira santa não haveria nada aberto e a melhor opção seria pegar uma praia.

As praias da Bahia são lindas e famosas, mas as de Salvador, not so much. Itapoã pra mim já havia sido uma decepção. Descemos o elevador Lacerda – que é o maior custo/benefício que se pode ter com apenas R$ 0,05 e pegamos um ferry até Itaparica, outra praia famosa e igualmente decepcionante.

salvador-010.jpg

 Pedimos a um taxista que nos levasse até a melhor praia de lá, que segundo ele era e de Mar Grande. Mas a praia era estilo a praia do Aterro do Flamengo. Não é nem questão de elitismo, mas de ter cachorro e até cavalo na praia. Mas eu me recusei a me estressar e fiquei tomando água-de-coco e cochilando na praia. E depois eu lembrei que essa praia aparecia até em música do Netinho (ôôô Mila/ mil e uma noites de amor com você/na praia/no barco/no farol apagado/ num moinho abandonado/ em Mar Grande/alto astral). Realmente eu não poderia esperar grande coisa.

 salvador-016.jpg

Às 16h estava de volta ao continente e, contrariando todos os conselhos para tomar cuidado pois a cidade é perigosa, fui de ônibus com minha câmera de quatro mil reais (não que eu tenha pago este preço) para ver o pôr-do-sol no Farol da Barra, programinha típico soteropolitano. A lenda é que Salvador é a única cidade onde o sol nasce e morre no mar, o que atrai casais e rodinhas de violão até o Porto da Barra.

À noite encontrei a Karla e dois paulistas do albergue para darmos uma de turista, irmos comer alguma coisa num restaurante do Pelourinho e virarmos alvo de pedintes e vendedores de bijuterias querendo amarrar uma fitinha do Nosso Senhor do Bonfim no seu braço. Pelo menos, foi a primeira sopa de polvo que tomei na minha vida.

April 18, 2007

Diário de Bordo de Salvador – Dia 1 – 05/04

Como qualquer mortal, tem horas – e muitas – nas quais eu não gosto do meu trabalho. Geralmente quando deixo de sair à noite porque tenho que acordar às 6h no dia seguinte para trabalhar ou quando não concordo com alguma coisa que tenho que fazer. Mas em outras horas, eu adoro. Tenho orgulho de trabalhar no maior centro de pesquisas da América Latina, que começará a testar a mistura de diesel com 5% de biodiesel – o B5 – e fará uma cerimônia para marcar esse teste no dia 09 de abril, em Salvador. Nove de abril, a segunda-feira depois de um feriado prolongado. Impossível eu não antecipar a passagem e passar  um fim de semana prolongado em Salvador.

 

Estive na cidade algumas vezes, muitas a trabalho, onde não vi nada além do hotel, aeroporto e da sala de reunião. Que eu tenha aproveitado, fui no carnaval há dois anos atrás, mas nessa época tudo pára o desfile dos trios. Me diverti horrores, mas não visitei nada. E fui quando era pequena com meus pais. A única lembraça que tenho é o quindim do restaurante do Senac J .

 

Cheguei em Salvador após um dia de trabalho e duas horas e meias de vôo, barrinhas de cererl e amendoim da Gol. No aeroporto, stress: havia telefonado antes pra lá e me informado que havia um ônibus executivo até meia noite para o centro da cidade. Cheguei dez e meia e me informaram que o último ônibus partiu às 22h. Nesse disse-me-disse no balcão de informações, uma senhora me ofereceu carona. E lá fui eu pro Pelourinho, ouvindo música evangélica para economizar R$ 80,00 de táxi.

 Cheuei morta no Albergue das Laranjeiras e capotei na cama do quarto apertado. O albergue é bonitinho, bem localizado, com locker, banheiros razoáveis, internet grátis e um café da manhã bastante honesto e incluso na diária de R$ 27,00 para não associados.

March 18, 2007

O teste do sofá

Era uma vez um americano chamado Casey Fenton. Ele comprou uma passagem para a Islândia numa promoção e deciciu que não iria se hospedar em um hotel ou albergue – Casey queria conhecer islandeses e de repente até arrumar um sofá para dormir na casa de alguém. Ele buscou o banco de dados da Universidade da Islândia e enviou e-mails a 1500 estudantes, se apresentando e perguntando de eles não poderiam lhe oferecer um lugar para ficar. Mais de 100 pessoas responderam oferecendo acomodação.

Casey conheceu locais e pessoas que jamais conheceria se ficasse em um lugar impessoal como um hotel ou albergue. Ele conheceu a Islândia pelos olhos de um islandês. No avião de volta pra casa pensou “é assim que eu quero viajar sempre”.  E assim nasceu o couchsurfing, que reune hoje mais de 180 mil pessoas de 213 paises dispostas a oferecer acomodação, companhia e dicas para viajantes em busca de um olhar mais pessoal das cidades.

Estou inscrita no couchsurfing desde o finalzinho do ano passado e desde então conheci várias pessoas que estavam de passagem no Rio e surfei numa meia dúzia de sofás (e camas e sacos de dormir) na minha última viagem. Já me perguntaram se era perigoso. No couchsurfing, os membros são indicados por outros, cada um tem um perfil onde você pode conhecer um pouco mais sobre a pessoa. Acho tão perigoso quanto dividir um quarto de albergue com várias pessoas das quais você nunca teve nenhuma informação.

Couchsurfing será um assunto corrente neste blog. Por enquanto, dê uma olhada no link ao lado para mais informações.

March 17, 2007

Hello world!

Esse é o terceiro blog que eu creio para falar sobre viagem. Espero que desta vez eu não pare no primeiro post.