Ganhei uma pantera cor-de-rosa de plástico, achada no chão da Piazza San Pedro, no Vaticano, que guardei até minha recente mudança. Ganhei uma rosa de um desconhecido em um Valentine’s Day, em Veneza. Ganhei também um convite para jantar de um lituano em outro Valentine’s Day, desta vez em Londres, mas preferi sair pra dançar com a amiga brasileira numa festa chamada I bet that you look good on the dance floor. Ganhei uma magnífica dor muscular nas pernas após quatro dias de trilha inca, mas ganhei o presente que é ver o dia nascendo e o sol iluminando as ruínas de Machu Picchu sem a massa de turistas por perto. Ganhei uma versão em inglês com dedicatória fofa de O amor nos tempos do cólera, esquecida de propósito na minha estante por alguém que conheci nas cálidas ruas de Cartagena. Ganho sempre alguns quilos quando vou ao Pará e à Bahia, mas também aumentei de peso depois de um fim de semana natureba-orgânico num ashram. Ganhei uma amiga depois de uma viagem à Chapada dos Veadeiros e uma amiga de infância das minhas idas à Belém. Ganhei um livro de um Hare Krishna na principal rua de Edimburgo, depois de recusar a oferta de comprar o cd da sua banda de Krishna Core mas lhe doar uma libra. Porque viagem é um investimento: gastamos dinheiro, mas ganhamos lembranças e experiências. E esta é a única coisa que alguém jamais vai poder tirar de mim.
May 27, 2009...5:55 pm
Das coisas que ganhei pelo caminho
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