Confesso que não gosto de dois grandes ícones mochileiros, daqueles adorados pelos twentysomething de países desenvolvidos que tem tempo para viajar: On the Road, de Jack Kerouac e O grande bazar ferroviário, de Louis Theroux. Pode ser simplesmente por conta do tipo de literatura – eu gosto de descrições minuciosas, de um maior detalhamento emocional dos personagens – e estes livros têm cenas e diálogos rápidos das ações dos personagens. Tenho a impressão de que eles fazem bastante coisa, mas nunca param para pensar no que fazem.
O livro de Theroux é um relato de suas viagens de trem da Europa até a Ásia e, para um cara tão viajado, ele sofre de um defeito fatal: o etnocentrismo. Porque como um cara que se propõe a passar meses viajando pela Ásia se opõe ao modo místico como os indianos explicam o mundo?
On the Road tem o seu DNA beatnik e, teoricamente, Kerouac escrevia sem parar num rolo de papel de fax, desenvolvendo a estória de modo linear, sem cortes e sem edições. Eu sinceramente acho que um editor cairia bem e não terminei de ler o livro. Mas já cruzei com muitos wannabes Dean Moriarty em albergues por aí.
2 Comments
May 22, 2009 at 12:58 pm
Luciana, bom que vc voltou com o blog. E tb acho On The Road chato. E Bazar é pior que isso, achei a visão do autor preconceituosa mesmo. O cara fica vendo o mundo pela janela do trem e quando sai só vai a clubes de americanos onde todos falam mal do lugar onde estão. Uma atitude oposta da que um viajante deve ter. Mesmo assim o livro tem boas histórias e vale a pena.
May 25, 2009 at 8:53 pm
Yo soy Dean Moriarty!!