July 7, 2009

Sideways

Eu estava jantando com uma amiga semana passada quando a ficha caiu:

 - Eu gostaria de morar num país em que o vinho fosse a bebida “oficial”.

Não é só porque comer e beber está no meu top 5 melhores coisas do mundo. E porque vinho está no pódio do top 5 das bebidas. Mas os 10 principais países produtores de vinhos – Itália, França, China, Estados Unidos, Espanha, Argentina, Chile, África do Sul, Austrália e Brasil e aqui abro exceção apenas para a China e esclareço que a produção americana se dá na Califórnia – são sinônimos de paraíso na Terra para mim e para muita gente.

A vinicultura requer um clima agradável, sempre ensolarado, quente no verão, com meias-estações que merecem esse nome e um inverno frio, mas não congelante. Vinícolas são geralmente vizinhas de montanhas e alguma fonte de água que torne aquele solo fértil e por isso, estão em lugares lindos. É uma bebida tão antiga que remete a tradições, costumes e festas, principalmente na Europa. E nada mais perfeito para fechar um dia do que o costume de jantar degustando uma tacinha de vinho.

No Uruguai – onde bebia vinho todo santo dia – vi em uma padaria vinho em caixinha, tal qual leite. Porque vinho lá é item da cesta básica. Não seria maravilhoso se todos nós encarássemos o vinho como algo tão essencial no nosso rol de supermercado ou mercearia?

Viver num país em que o vinho faça parte do cotidiano é minha mais nova meta de vida.

June 19, 2009

South Beach

luzes de SoBe

luzes de SoBe

South Beach é uma festa que nunca termina e todos estão convidados. Sendo a única área de Miami onde você circula a pé, SoBe é a Ipanema, o Palermo Soho, a Providência de Miami, the place to be, onde todos os locais e turistas se encontram. Hotéis, cafés, restaurante, praia e vida noturna. Claro que isso tem um preço – literal – e você paga 17 dólares por um drinque num club ou 20 dólares pelo aluguel de uma cadeira na praia.

Miami Beach é uma ilha entre o oceano e a Baía de Biscayne, que inclui inúmeros countys e, entre eles, South Beach. É curioso reparar como os countys são pequenos mas absolutamente diferentes entre si e você percebe nitidamente quando entra e sai de um deles – de um county apenas com prédios luxuosos modernos para outro composta apenas por mansões sem muros para outro com prédios antigos. E de county em county, a partir de Hollywood, eu cheguei em South Beach, que tem o maior conjunto arquitetônico Art Déco do mundo, uma das poucas lembraças da minha primeira viagem à Miami, aos 13 anos. SoBe é assim porque foi destruída por um de muitos furacões em 1926 e sediou um evento de artes e arquitetura que introduzia este estilo nos Estados Unidos no ano anterior. Na década de 70 o governo pretendia demolir esses predinhos fofos que eu tanto gosto para construir arranha-céus, muito mais rentáveis para as construtoras, mas foi salvo por um grupo de ativistas que inscreveram o lugar no National Register of Historic Places, criando o Miami Beach Architecture District.

Nada é mais Miami que uma lamborghini conversível laranja

Nada é mais Miami que uma lamborghini conversível laranja

Esse oasis não é muito grande – entre as ruas 5 e 20, mais ou menos, mas tem muita coisa para fazer e você pode ficar facilmente apenas nessa área por alguns dias, se for adepta do slow travel como eu. As principais ruas, e que concentram todas as atrações que eu vou listar, são a Ocean Drive (em frente à praia), Collins Avenue, Washington Avenue e Lincoln Road (para pedestres). Nessa área tem mais restaurantes onde eu poderia comer em um mês, embora eu tenha dedicado bastante atenção ao Starbucks e à Haagen Daaz, mas também comi o “melhor hamburger do mundo”, assunto de matéria do programa de Oprah – e sim, era bem gostoso e diferente dos nossos hamburgers premium. Retail therapy pode ser praticada nas ruas já citadas, mas também no Sawgrass Mills, a abelha-rainha dos outlets. Sobre a vida noturna de Miami, aguardem outro post.

Recomendo bastante o hotel que fiquei em SoBe, o Eva. Limpo, agradável, bem localizado, é praticamente um apart hotel, pois tem cozinha no quarto. Paguei US$ 280 por três noites, de quinta a sábado, em um quarto para duas pessoas. Já o Westin Diplomat, resort onde foi o evento que foi o motivo da minha ida à Miami, é o lugar mais luxuoso onde fiquei na vida. Cama king size, TV de LCD de 37’, banheira – tudo isso já vi antes. Mas ter a minha personal máquina de Starbucks no quarto, com refis ilimitados, ah, isso é tirar onda.

Miami 006

June 19, 2009

I’m in Miami, bictch

Na minha modesta – e sarcástica – opinião, algumas mudanças deveriam ser feiras na geopolítica mundial. O Suriname deveria ir para a América Central, Cancun deveria ser incorporada aos Estados Unidos, o Alaska deveria assumir de vez sua cidadania canadense e Miami, definitivamente, é mais caribenha que americana.

Talvez seja por isso que os brasileiros adorem tanto a cidade. Tem a limpeza das ruas, o poder de compra, a eficiência das estradas americanas, mas com o clima quente, a música e o belo mar azul do Caribe. E some-se a isso os outlets, que fazem até a mais comedida das criaturas – eu (OK, talvez eu esteja apenas em terceiro ou quarto lugar) – não saber como traz de volta o tanto de coisa que comprou. Miami não é uma cidade que eu escolheria para morar, mas é meio que nem namorado: enquanto você não acha o certo, divirta-se com os errados.

June 3, 2009

Welcome to Miami

Depois de amanhã embarco para uma semana em Miami, para três dias a trabalho e quatro livres (adoro essa matemática). Estive lá há 16 anos,  então muita coisa mudou. Na cidade e em mim. Aguardem posts.

May 27, 2009

Lá no meu outro blog rola um edital de concurso para namorado. Dou casa, comida e roupa lavada se o gajo se comprometer a limpar a casa, fazer a comida e lavar a roupa. Inscreva-se já!

May 27, 2009

Das coisas que ganhei pelo caminho

Ganhei uma pantera cor-de-rosa de plástico, achada no chão da Piazza San Pedro, no Vaticano, que guardei até minha recente mudança. Ganhei uma rosa de um desconhecido em um Valentine’s Day, em Veneza. Ganhei também um convite para jantar de um lituano em outro Valentine’s Day, desta vez em Londres, mas preferi sair pra dançar com a amiga brasileira numa festa chamada I bet that you look good on the dance floor. Ganhei uma magnífica dor muscular nas pernas após quatro dias de trilha inca, mas ganhei o presente que é ver o dia nascendo e o sol iluminando as ruínas de Machu Picchu sem a massa de turistas por perto. Ganhei uma versão em inglês com dedicatória fofa de O amor nos tempos do cólera, esquecida de propósito na minha estante por alguém que conheci nas cálidas ruas de Cartagena. Ganho sempre alguns quilos quando vou ao Pará e à Bahia, mas também aumentei de peso depois de um fim de semana natureba-orgânico num ashram. Ganhei uma amiga depois de uma viagem à Chapada dos Veadeiros e uma amiga de infância das minhas idas à Belém. Ganhei um livro de um Hare Krishna na principal rua de Edimburgo, depois de recusar a oferta de comprar o cd da sua banda de Krishna Core mas lhe doar uma libra. Porque viagem é um investimento: gastamos dinheiro, mas ganhamos lembranças e experiências. E esta é a única coisa que alguém jamais vai poder tirar de mim.

May 22, 2009

Comer, rezar e amar (Elizabeth Gilbert)

Sim, eu tinha preconceito com esse livro, que me cheirava a auto-ajuda. E sim, eu li e gostei, e ele às vezes é auto-ajuda de meia tigela mesmo, do tipo “você tem que buscar a sua verdade para ser realmente feliz”. Mas o livro é redondo e difícil de largar, com descrições muito legais do cotidiano num ashram e como é bom dar um f*da-se à tudo e todos, juntar suas coisas e ir pra Itália, simplesmente porque você quer e pronto. Um dia faço isso também, senão não morro realizada. E sim, essa auto-ajuda me ajudou: chega uma hora que você casou, teve filhos, comprou uma casa, estudou, conquistou uma carreira de sucesso, mas quer fazer aquilo que você e simplesmente você tem vontade. Como estudar italiano – um idioma que não serve para muita coisa mas é lindo – e se jogar numa das melhores culinárias do mundo (bom, isso eu sempre fiz). Tem também o  cliché, de se apaixonar pela ginga de um brasileiro, mas eu relevo (sem acento. Morte à reforma ortográfica). Que me perdoem meus ídolos Benedetti, Amos Oz e Ian McEwan, mas se eu fosse escrever um livro, seria mais ou menos como Comer, Rezar e Amar.

May 20, 2009

Literatura para viagem

Não estou falando de guias de viagem, com indicações de “onde comer” “onde dormir”, “o que fazer”, mas de livros que se passem em lugares que te fazem decidir a ir para lá. Como quando eu assisti Diários de motocicleta e eu quis vivenciar toda a estupefação que eu vi no  rosto de Gael Garcia Bernal/Che quando chegou a Machu Picchu. Mas o assunto aqui são livros e não filmes, que sejam relatos de viagem ou simplesmente contenham tantas descrições de um lugar que te dão uma vontade irresistível de ir para lá. Nasce um novo tag para este blog.

May 20, 2009

On the Road (Jack Kerouac) e O Grande Bazar Ferroviário (Paul Theroux)

Confesso que não gosto de dois grandes ícones mochileiros, daqueles adorados pelos twentysomething de países desenvolvidos que tem tempo para viajar:  On the Road, de Jack Kerouac e O grande bazar ferroviário, de Louis Theroux. Pode ser simplesmente por conta do tipo de literatura – eu gosto de descrições minuciosas, de um maior detalhamento emocional dos personagens – e estes livros têm cenas e diálogos rápidos das ações dos personagens. Tenho a impressão de que eles fazem bastante coisa, mas nunca param para pensar no que fazem.

O livro de Theroux é um relato de suas viagens de trem da Europa até a Ásia e, para um cara tão viajado, ele sofre de um defeito fatal: o etnocentrismo. Porque como um cara que se propõe a passar meses viajando pela Ásia se opõe ao modo místico como os indianos explicam o mundo?

On the Road tem o seu DNA beatnik e, teoricamente, Kerouac escrevia sem parar num rolo de papel de fax, desenvolvendo a estória de modo linear, sem cortes e sem edições. Eu sinceramente acho que um editor cairia bem e não terminei de ler o livro. Mas já cruzei com muitos wannabes Dean Moriarty em albergues por aí.

May 18, 2009

Das coisas que perdi pelo caminho

Voltando a este blog que já tinha passado por sua extrema-unção. Mas o tema viagem, porém, está cada vez mais vivo na minha cabeça.

 

Post inspirado neste: http://viajeaqui.abril.com.br/blog/133918_comentarios.shtml?7536578

Já perdi um avião depois de uma noite (e começo de manhã) de festa em Belo Horizonte. Perdi uma câmera em Machu Picchu, no final da viagem, e, consequentemente, todas as fotos. Mas não perdi nenhuma memória da viagem. Perdi um anel na rodoviária de Salta, argentina, que até agora está me doendo. Perdi o medo de viajar sozinha desde o primeiro dia em La Paz mas até agora não perdi a vergonha de jantar sozinha num restaurante legal. Perdi a cabeça por um canadense e até agora não encontrei – deve estar junto com a câmera ou o anel. Perdi a paciência com prestadores de serviço no Uruguai, até entender que aquele era o jeito deles de lidar com as coisas e a gente viaja é pra ver o jeito diferente das pessoas. Perdi a inocência de pensar que alguém nascida e criada no Rio de Janeiro jamais poderia ser roubada numa cidadezinha de 10 mil habitantes na Europa depois de isto acontecer. Perdi dois quilos porque me desaconselhavam a sair no centro de Bogotá à noite para jantar, e então ia dormir com fome. Perdi o sono com medo de perder vários vôos. Provavelmente perdi uma parte do meu fígado neste último verão no Rio de Janeiro, que é a minha casa e nunca foi tão minha. Perdi a fala diante do Fórum Romano, das Cataratas do Iguaçu, do pôr-do-sol do Posto Nove ontem. Perdi o medo e ganhei verdadeira fascinação pelo desconhecido deste mundo. E não perco nunca a vontade de viajar.